Campos de investigação
As/Os investigadoras/es integradas/os e as/os investigadoras/es colaboradoras/es do CHSC organizam-se, internamente, por campos de investigação, de acordo com os objetos e problemas em que se centra a sua atividade. Presentemente o CHSC tem quatro campos de investigação:
- Impérios, colonialismo e pós-colonialismo

Estátuas de navegadores portugueses e do Rei Amador, Forte de São Sebastião, São Tomé, foto de 2026, coleção privada Impérios, colonialismo e pós-colonialismo estimula o diálogo sobre as trajetórias históricas dos impérios, em diferentes recortes cronológicos e áreas geográficas. Adotando abordagens comparativas e metodologias tributárias da história transnacional e global, os diferentes “impérios portugueses”, nas Américas, na Ásia, em África e na Oceânia, constituem o foco central deste campo de investigação.
Atenta-se nas dinâmicas imperiais e coloniais, isto é, tanto sobre as políticas, representações e instituições que governaram e legitimaram a estrutura imperial, desde logo na sua relação com outras formações (imperiais ou não), como sobre as políticas direcionadas para territórios e populações específicas, que visavam estimular a colonização e organizar a vida social, política, cultural, religiosa e económica das populações locais e dos colonizadores. Promovem-se investigações que favoreçam o diálogo entre estas diferentes dimensões bem como a articulação de escalas analíticas. Entre o conjunto de objetos historiográficos tratados contam-se as dinâmicas religiosas e de missionação nos impérios, a história das “políticas da diferença” coloniais, a história do trabalho e da economia ou a questão da propriedade e da terra em contextos imperiais.
Face às importantes consequências das experiências coloniais, promover-se-á a compreensão das sociedades que emergiram dos diferentes processos de desintegração imperial, incluindo as dinâmicas que marcaram as sociedades pós-imperiais bem como as configurações sociais que resultaram da descolonização global. Neste contexto, assumem particular relevância os processos de expansão e contração imperial com origem na Europa e as consequências que alcançaram nos territórios anteriormente colonizados, incluindo as nações independentes na América, Ásia e África que fizeram parte do império português.
Coordenação: José Pedro Monteiro | ze.pedro.monteiro@gmail.com
- Ofícios da História, Documentos, Humanidades Digitais

Arquivo da Universidade de Coimbra – IV- 1.ª D - 1 – 1 – 2 Ofícios da História, Documentos, Humanidades Digitais é um campo de investigação, transversal, que reflete sobre a natureza da atividade historiográfica, as suas metodologias, os principais debates teóricos e os desafios com que a História se depara no presente e no futuro. AHistória, ao analisar continuidades, ruturas, permanências, resistências e impulsos de mudança, constitui um conhecimento indispensável para compreender o ser humano na sua experiência temporal e espacial e interpretar as sociedades como resultado de processos complexos. Contribui para um pensamento crítico e para a consolidação de sociedades mais informadas, reflexivas e responsáveis face aos seus percursos.
A História trabalha com documentos escritos, materiais, iconográficos e orais do passado, que exigem ao historiador uma orientada e incisiva pesquisa e uma profunda análise, contextualização e interpretação. A rigorosa crítica interna e externa dos atos escritos obriga ao conhecimento teórico e prático das ciências do documento, que consente a edição crítica de textos, domínio de saberes identitário deste Centro.
Na atualidade, as Humanidades Digitais desafiam o labor do historiador, colocando-o em diálogo com novas tecnologias, metodologias e linguagens digitais, que ampliam os modos de acesso, o questionamento e a crítica dos documentos e reconfiguram a interpretação do passado. Instrumentos de análise de dados, bases de dados relacionais, sistemas de informação geográfica, visualização e edição digital de documentos, realidade aumentada ou reconstituições 3D redimensionam os horizontes epistemológicos da História e a forma de comunicar o conhecimento histórico à comunidade. Mais recentemente avultam os desafios suscitados pela inteligência artificial que colocam em causa questões centrais na produção do conhecimento histórico, sobretudo em relação aos critérios de verdade, da fonte de informação, e da autoria.
Coordenação: Maria Helena da Cruz Coelho | coelhomh@gmail.com
- Patrimónios, Culturas e Identidades

Postal antigo de Colares, Sintra, colecção particular Patrimónios, Culturas e Identidades constitui-se como umcampo de investigação que congrega temáticas e problemas com importante tradição na atividade de investigação do CHSC, e que nele dispõem de uma importante massa crítica, não só no âmbito da história cultural, nas múltiplas declinações e perspetivas que esta área tem assumido, como mais especificamente no campo do património e das artes.
Assumindo patrimónios, culturas e identidades como conceitos indissociáveis entre si que conformam importantes sectores e dinâmicas da sociedade contemporânea — desde o económico, identificado de forma clara pelo crescente fenómeno de turismo de massas, ao ainda insuficientemente reconhecido domínio do bem‑estar social — este campo propõe-se promover a troca e debate de diferentes abordagens e metodologias, em recortes cronológicos diversos e variadas escalas de análise, desde o local ao global, contribuindo, assim, para os grandes debates em curso, da mais consentânea UNESCO ao mais problematizante movimento dos Critical Heritage Studies.
Trata-se de identificar, interpretar e conhecer bens e valores patrimoniais, históricos e artísticos, por forma a compreender como o ser humano perceciona e atua sobre o mundo que o rodeia matéria em que a História da Arte detém instrumentos científicos adequados. Por outro lado, visa-se refletir sobre todo um sistema internacional pensado em torno do património cultural, com destaque para questões de propriedade e tutela, aceitação ou recusa, promoção ou destruição, partilha e usufruto, sem esquecer as fortes implicações sociais que os diferentes usos e reações a estas questões acarretam. Reconhecer e assumir a natureza intrínseca destes conceitos — contínua construção, negociação e resignificação — com a atribuição de novos valores a implicar tão frequentemente a contestação dos anteriores e a provocar fraturas societais — coloca este campo no centro da agenda política e societal atual, com potencial para ajudar a resolver desequilíbrios e assimetrias bem como fenómenos de incompreensão e exclusão.
Encontrar possíveis respostas para estas questões e disponibilizá-las à comunidade alargada é também necessariamente a missão do CHSC.
Coordenação: Luísa Trindade | luisa.trindade@fl.uc.pt
- Sociedades, Poderes, Desigualdades

Biblioteca Casanatense, Ms.1889 c.94 O campo de investigação Sociedades, Poderes, Desigualdades centra-se na análise histórica das múltiplas formas de organização social, das relações de poder e dos mecanismos de produção, reprodução e contestação das desigualdades ao longo do tempo, desde o período medieval até à época contemporânea. Partindo de uma perspetiva crítica e cruzando saberes e tradições historiográficas, este campo procura compreender como é que as hierarquias sociais – económicas, políticas, religiosas, jurídicas, culturais, étnico-raciais e de género – se constituíram em contextos históricos específicos e como foram legitimadas, negociadas ou desafiadas.
A investigação desenvolvida neste âmbito privilegia a articulação entre escalas locais, nacionais, imperiais e globais, explorando dinâmicas de dominação, resistência e mediação protagonizadas por diversas instâncias e formas de organização social, em diferentes espaços e períodos históricos. Tem particular atenção às formas de exercício do poder – institucional, informal, simbólico e material – bem como aos atores individuais e coletivos envolvidos, incluindo grupos subalternizados e marginalizados, frequentemente ausentes das narrativas históricas tradicionais.
Este campo integra estudos sobre Estado e governação, religião, trabalho e desigualdades económicas e sociais, justiça e repressão, participação política e movimentos sociais, direitos e formas de exclusão social, bem como sobre conhecimento, ideologia e cultura política. Acolhe ainda abordagens mais centradas sobre algumas instituições particulares que tiveram um papel marcante na configuração dos sistemas sociais e de afirmação de desigualdades de diversas tipologias, como foram a Universidade, a Inquisição, as Misericórdias, ou o aparelho do Estado, para dar apenas alguns exemplos.
Ao combinar rigor empírico, inovação metodológica e diálogo com outras ciências sociais e humanas, “Sociedades, Poderes, Desigualdades” afirma-se como um espaço de investigação crítico, plural e socialmente relevante, contribuindo para uma compreensão histórica aprofundada do passado e dos desafios contemporâneos.
Coordenação: Miguel Bandeira Jerónimo | mbjeronimo@gmail.com